Viagem no tempo... Uma lição de história

Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas, vai perder mais de metade dos trabalhadores

O Centro Cultural Malaposta é gerido desde 2007 pela empresa Municipália, responsável pela gestão de vários equipamentos desportivos e culturais do concelho

O diretor artístico da Malaposta, em Odivelas, lamentou hoje (dia 11/10/2014) o facto de o centro cultural perder mais de metade dos seus trabalhadores na sequência do processo de extinção da empresa municipal que gere o espaço.

O Centro Cultural Malaposta é gerido desde 2007 pela empresa Municipália, responsável pela gestão de vários equipamentos desportivos e culturais do concelho.

Em junho deste ano a Câmara de Odivelas foi notificada pela Inspeção Nacional de Finanças para que a Municipália fosse extinta até ao final deste ano, o que vai fazer com que 38 dos 80 trabalhadores percam o seu posto de trabalho.

No caso do Centro Cultural Malaposta, onde atualmente trabalham cerca de quatro dezenas de trabalhadores, apenas 16 irão permanecer após a dissolução da empresa, uma situação que está a gerar “bastante apreensão” por parte dos responsáveis do equipamento.

Em declarações à agência Lusa o diretor artístico do Centro Cultural Malaposta, Manuel Coelho, contou que o ambiente é de apreensão: “Há um sentimento de muita revolta porque as pessoas se sentem injustiçadas. A extinção da Municipália foi decretada pelo Governo, mas assenta numa lei de uma inconstitucionalidade gritante”.

Para se manterem abertas, as empresas não podem, nos últimos três anos, ter vendas ou prestações de serviços inferiores a 50% dos seus gastos totais, nem ter subsídios à exploração superiores a 50% das suas receitas.

Também encerram as empresas que, nos últimos três anos, tenham tido resultados operacionais negativos ou resultado líquido de exercício negativo.

Contudo, no entender do responsável da Malaposta, a empresa municipal só é extinta devido à retroatividade da lei, uma vez que “o resultado líquido do primeiro semestre deste ano até foi positivo”.

“Estamos a falar de uma empresa que presta um serviço importante à comunidade, uma vez que desenvolve bastantes projetos que as envolvem. Podemos falar do grupo de teatro sénior, infantil, ou até do Festival dos Sentidos, que promove a inclusão das pessoas com deficiência mental”, apontou.

Manuel Coelho referiu que “agora que o mal está feito” o objetivo passa por fazer tudo para evitar “matar a qualidade da atual oferta cultural”.

“Graças à qualidade da oferta a Malaposta está a ter médias anuais de 60 mil espetadores. Eu quero acreditar que existem condições para poder suprir as pessoas que saem e que a qualidade se possa manter”, apontou.

No entanto, Manuel Coelho ressalvou que a solução não se pode esgotar na simples contratação de trabalhadores de fora, já que o sucesso da “está dependente da existência de uma equipa muito unida”.

“Quem vier terá de vir com a camisola bem vestida e com vontade de lutar e defender esta casa com unhas e dentes”, alertou.

Na sequência do processo de extinção da Municipália, a Câmara de Odivelas elaborou um plano de internalização para absorver os 84 trabalhadores e as competências asseguradas até então pela empresa municipal.

Contudo, referiu na quinta-feira à Lusa a presidente da Câmara de Odivelas, Susana Amador (PS), perto de metade dos trabalhadores recusou ser integrado nos quadros da autarquia e optou pela rescisão do contrato e indemnização.

A autarca explicou que essa decisão dos trabalhadores se deve ao facto de existirem reduções salariais decorrentes da transição dos quadros da empresa municipal para os da autarquia, que obedece a diferentes critérios remuneratórios.

Ainda assim, Susana Amador “não esperava” que houvesse tantos trabalhadores a optar pela rescisão do contrato, mas acredita que a câmara vai conseguir “assegurar a qualidade” dos serviços prestados.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela agência Lusa

malaposta_entrada

Sem comentários ainda

Deixe uma resposta

Login