Viagem no tempo... Uma lição de história

Freiras Bernardas

RevoltaBernardas

“A revolta das freiras de Odivelas”, pintura de Roque Gameiro

No Mosteiro de S. Dinis, residiam as freiras bernardas da Ordem de Cister. Estas freiras eram maioritariamente de origem nobre, que por a família não lhes atribuir um dote, não casavam por não disporem de bens.

Como as heranças não eram divididas pelos filhos equitativamente e transitavam na totalidade para filho primogénito, os restantes irmãos eram considerados varões.
Assim, os rapazes seguiam maioritariamente a vida eclesiástica ou militar e as raparigas, quando não prometidas em casamento a algum nobre, eram protegidas nos mosteiros, que enriquecidos com as doações dos reis e da nobreza, lhes proporcionavam uma vida economicamente estável e segura.

Durante muitos séculos a santidade do mosteiro teve fama, no qual monges e monjas bernardas conviviam, embora separados pelo regime de clausura, aproximadamente até ao reinado de D. João I.

Contudo, devido a não se encontrarem ali enclausuradas por vocação natural mas sim pelos motivos acima descritos, a “santidade” do mosteiro foi sofrendo alguns abanões, sendo a vida tranquila das freiras do mosteiro de Odivelas quebrada várias vezes, quando das visitas dos reis, à procura de jovens do seu agrado.

Eram frequentadores assíduos do mosteiro, primeiramente o rei D. Dinis e mais tarde o rei D. João V que não dispensava a prazerosa marmelada, nem tão pouco a irresistível madre Paula, mãe dos seus filhos.

O prestígio destas freiras era tal, que mesmo em tempos de crise e enorme escassez, no mosteiro sempre imperou a abundância, sendo considerado um templo da doçaria, devido aqui nunca ter faltado o açúcar, bem escasso e raro com que as freiras confecionavam, entre inúmeros doces, a famosa marmelada para deleite dos poucos privilegiados de sua eleição.

 

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