Viagem no tempo... Uma lição de história

O Mosteiro de Odivelas e as suas profundas alterações

 

VistaAntiga2

Toque na imagem para ampliar

O Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, vulgarmente designado de Mosteiro de Odivelas, foi fundado pelo Rei D. Dinis e a sua construção original, de estilo gótico, iniciada em 1295, foi projetada pelos mestres arquitetos Antão e Afonso Martins e Frei João Turriano (engenheiro-mor do reino).

É um monumento de arquitetura religiosa, que está classificado como de interesse nacional.

A sua igreja era originalmente flanqueada por duas torres e compunha-se de três naves. Da construção inicial, apenas resta a cabeceira da igreja que se integra no chamado Gótico dionisino, com o seu portal lateral Sul (dotado de narthex), constituída pela abside e capelas laterais com abóbodas de nervuras chanfradas e duas alas do Claustro Novo e do Claustro da Moura.

O seu perfil tripartido com planta exterior poligonal e contrafortes nos ângulos, permite a abertura nos panos médios da capela-mor de enormes janelões verticais de lume duplo.

No interior, a luminosidade define a hierarquização dos vários espaços, com a capela-mor generosamente iluminada contrastando com a escassa luz nos absidíolos, onde os janelões de lume duplo passam a estreitas frestas verticais, conferindo às capelas laterais, o estatuto de dependências anexas e pela baixa abóboda, formada por cruzaria de ogivas e nervuras bastante salientes.

Ao longo dos tempos o Mosteiro foi sendo sucessivamente restaurado e alterado de acordo com os gostos de cada época, começando assim a partir do século XVI, a perder a sua original pureza de linhas.

Ainda no século XV (1424), a rainha D. Filipa de Lencastre ordenou a criação de uma capela, anexa ao absidíolo Sul e associada ao portal lateral da igreja. O estilo arquitetónico deste espaço é semelhante à da cabeceira, mantendo a planta poligonal, contudo os elementos decorativos diferem, bem como a dimensão dos vãos.

Porém as obras quinhentistas foram as mais relevantes, correspondendo a este período o Claustro da Moura e diversas obras na parte monacal. Por todo o mosteiro, encontram-se alguns elementos manuelinos, com materiais que denotam, toda uma dinâmica construtiva alargada, durante a primeira metade do século XVI.
O Mosteiro de Odivelas e as suas profundas alterações

VistaAntiga3

Toque na imagem para ampliar

Após o terramoto de 1755 em que o corpo da igreja abateu e numerosas dependências monacais ficaram afetadas, as obras de restauro não respeitaram de todo a traça gótica, optando-se também pelo estilo neoclássico, tanto na igreja como nas alas nascente e norte do Claustro Novo.

A reconstrução da igreja deu origem a um espaço mais amplo, sem divisórias e com arcos extremos de volta perfeita e abatidos, suportando uma abóbada de lunetas.

Nos séculos XVII e XVIII as obras continuaram, e assim, para além do estilo gótico inicial, evidencia-se também o estilo manuelino das portas do claustro,  o estilo renascentista que carateriza a fonte de água e o barroco bem patente nas capelas, alpendradas, nos azulejos do exterior e ainda na cozinha e no refeitório das freiras.

No início do século XX, o Mosteiro acolhe o Instituto de Odivelas, sendo a igreja, a zona mais conservada, onde estão dois túmulos góticos, um deles do rei D. Dinis, com jacente e faciais decoradas com edículas trilobadas, nas quais se integram religiosos. Este túmulo é um dos expoentes máximos da arte tumular medieval portuguesa, apesar de bastante afetado pelo terramoto e pelas invasões napoleónicas.

 

Login