Viagem no tempo... Uma lição de história

Ordem de Cister

Armas de Cister

Armas de Cister

A Ordem de Cister, fundada em França em 1098 por Roberto de Champagne, abade de Molesme foi estruturada pelo seu terceiro abade Estêvão Harding, que obteve aprovação papal em 1119.

Distinguida no início, pela austeridade e simplicidade, progressivamente foi enriquecendo com o controle de enormes territórios, que se deveu ao grande domínio das técnicas agrícolas inovadoras e intensivas, bem como das inúmeras doações de reis e nobres.

Em toda a Europa cristã a Ordem Cisterciense proliferou, tendo-se fixado em Portugal no século XII, no qual exerceu, mais do que em qualquer outro país uma grande e duradoura influência.

Acompanhou a progressiva formação do território português bem como a firmação política da primeira dinastia.

Estabelece-se em 1143 em S. João de Tarouca, próximo de Lamego, em Alcobaça em 1153 e mais a sul em Odivelas no ano de 1295.

Esta ordem impunha o isolamento, como condição essencial para a escolha do local de edificação de cada Abadia Cisterciense.

Enquanto em Alcobaça está o mais famoso e esplendoroso monumento desta Ordem, a Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, expoente máximo do gótico em Portugal, em Odivelas a fama do mosteiro, provém da sua magnificência e das cerca de 300 religiosas aí residentes.

Assim, com a aprovação do abade de Alcobaça, que redigiu uma carta ao Abade-Geral de Cister em França, a comunicar a intenção do Rei D. Dinis em construir o mosteiro em Odivelas, em Setembro de 1294, chegou a licença, com uma carta de agradecimento ao monarca português.

A Ordem de Cister regia-se por um conjunto de preceitos destinados a regular a vivência das comunidades monásticas cristãs, designado pela “Regra de S. Bento” que estipulava o seguinte:

– Repartir o tempo entre o trabalho manual, intelectual e a oração

– Os monges vivessem em clausura perpétua

– Respeitar o silêncio

– As Abadias Cistercienses deveriam ficar isoladas

– Edifícios modestos e com pouco ornamentos

– Deveriam dormir no chão

– Alimentação diária de apenas meio quilo de pão e dois pratos de legumes

– Nunca comer carne, peixe ou lacticínios

– Vestirem obrigatoriamente um simples hábito branco de tecido áspero

– Ir obrigatoriamente ao coro e manter o silêncio e perfeição de vida nas cerimónias

– As Abadessa, bem como as monjas não poderiam sair do mosteiro e aí só entravam monges de Cister para administrar sacramentos, visitantes da Ordem, o Rei, podendo levar consigo 3 pessoas idóneas, o Infante, o Bispo e o Abade de Alcobaça, podendo cada um destes fazer-se acompanhar de duas pessoas honestas, o médico e artífices, mas sempre acompanhados de 2 religiosos

Adelbrecht-HabitoCisterciense

Hábitos da Ordem de Cister, ilustração de Adelbrecht

Muitas destas prescrições, como é sabido não foram aplicadas no Mosteiro de Odivelas, devido a muitas das monjas que ali se encontravam pertencerem à nobreza e como tal opunham-lhes alguma resistência, devido a um certo poder que exercido sobre os Ababes de Alcobaça, que superintendiam o Mosteiro de Odivelas.

Com a decadência e extinção das ordens religiosas em 1834, também os mosteiros cistercienses acabaram por ser suprimidos.

 

 

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